quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Escola Salomão Watnick ainda espera pela nova sede

Depoimentos


Sabina Braga, representando os pais no Conselho Escolar da escola, disse que o atual prédio não tem espaço físico para atender as demandas dos alunos. “Não temos espaço para recreação e diversas atividades, inclusive para abrir novas turmas de ensino em 2011”, relata. Júlia Barreto, vice-diretora da escola, disse que o prédio provisório é ocupado desde 2008 e que hoje conta com quatro turmas em duas salas de aula. “Estamos aguardando a construção do prédio definitivo no bairro Partenon, pois atendemos desde a educação precoce até o segundo ciclo”, informa.

Segundo Júlia, o espaço físico os limita a crescer e progredir pedagogicamente, mesmo que ressalte que não há fila de espera e as demandas são atendidas. “As mães nos cobram. A gente vem crescendo e conquistando espaço e a credibilidade das famílias e alunos”, registra ao lembrar que a equipe docente é formada por nove profissionais que atendem os 26 alunos matriculados. “Não somos números e temos um ano letivo para começar em 2011 com, no mínimo, mais duas turmas. Onde vamos colocar essas crianças?”, questiona.

Verbas

A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Educação (Smed), Zuleica Beltrame, disse que o governo já investiu R$ 50 mil para melhorias no atual prédio. Ela também ressalta que já estão previstas as obras para o prédio definitivo da Salomão Watnick no Partenon, mas que “é difícil estabelecer uma data para a construção”. Zuleica informa que o custo estimado é de R$ 2 milhões, no mínimo, no terreno na Rua Cosme Damião. “Queremos pedir emendas parlamentares para priorizar as obras”, destaca, ao informar que as verbas da educação em Porto Alegre são adequadas ao conjunto das necessidades e demandas das cidades. Questionada pelos vereadores, ela admite que não há previsão do total deste montante na peça orçamentária para 2011, o que atrasaria para 2012 o início das obras.

Também estiveram presentes os vereadores Tarciso Flecha Negra (PDT) e Fernanda Melchionna (PSOL).

Fonte: Assessoria de Imprensa CMPA.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Personalidades ligadas à Educação receberão homenagem

Jornalista Maria José Vasconcelos de Souza

Para Sofia Cavedon grande parte da história de valorização e investimento na educação, pelo jornal Correio do Povo, deve-se à jornalista Maria José Vasconcelos, que criou a Editoria de Ensino, onde atua desde 1998, na época junto com a Editoria Geral (até 2001). Maria José formou-se em jornalismo pela Puc/RS. No Correio do Povo, atuou como redatora, repórter, subeditora, editora e chefia da Central do Interior. Sua dedicação à educação advém da sua formação no magistério, através de cursos de extensão na área didático-pedagógica, graduação em Pedagogia, especialização em Orientação Educacional e pós-graduação em Alfabetização.

Nesses dez anos de diária cobertura jornalística do setor educacional, a Editoria de Ensino se tornou leitura diária obrigatória de milhares de pessoas, que nela acompanham a evolução da educação no Estado e no País, e que ali buscam possibilidades de formação, de emprego e aprofundamento na área, destaca Sofia. “Se, por um lado escolas, professores, alunos, entidades educacionais acompanham ali suas lutas, reivindicações, protestos, realizações, por outro, os gestores contam com importante instrumento de divulgação de suas propostas e ações e dos resultados obtidos, além de obter informações de como essas estão sendo recebidas, de outras iniciativas que estão sendo realizadas, e dos problemas que os sistemas educacionais têm a enfrentar”, enfatizou.

Professora Andréa Portela de Azambuja

A professora da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre Andréa Portela de Azambuja iniciou um projeto com dança em 1990, nas aulas de Educação Física na EMEF Victor Issler. Com o tempo, a oficina de dança cresceu, ampliando seu universo social e proporcionando aos alunos novos desafios. Em 1994, o grupo de dança coordenado pela professora realizou o primeiro espetáculo no Teatro Renascença, participando também da “Escola Faz Arte”, no Salão de Atos da Reitoria da UFRGS. Foi o ano em que os alunos descobriram o palco e iniciaram sua trajetória em espaços culturais oficiais .

Em 2001, Andréa lançou o Projeto “Pé na Dança Pé no Mundo”, com caráter de danças folclóricas de projeção, étnicas e populares, ricas em tradições, histórias e ampla diversidade de conhecimentos. Sob a sua coordenação, o Projeto “Pé na Dança Pé no Mundo” completa 20 anos de existência este ano. Para Sofia essa trajetória expressa a preocupação e a dedicação com a cultura popular e a salvaguarda dos “saberes” e “fazeres” que constituem o patrimônio cultural brasileiro.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Inclusão Escolar - Estratégias de convivência foi o último tema debatido

O doutorando em Educação e professor da EMEEF Elyseu Paglioli, Marco Aurélio Freire Ferraz, apresentou um recorte da sua dissertação de mestrado, de como os alunos produzem as estruturas de convivência na história deles. “As noções básicas da escola eles sabem. A lógica da normalidade é mais difícil para eles entenderem”, afirmando que “precisamos ouvir mais os alunos com deficiência. Ouvimos os professores, os alunos e demais segmentos, mas não escutamos os alunos, que têm muito a contribuir com o sucesso deles na escola e na vida”.

Segundo a diretora da Atempa e professora da EMEF Presidente Vargas, Anabel Cogo, a inclusão para ela é um fato e na sua escola acontece. Anabel apresentou o processo de inclusão escolar que se realiza na Presidente Vargas, há oito anos. Ela defendeu a manutenção das escolas especiais, pois muitos alunos, especialmente os que apresentam múltiplas síndromes, necessitam estar em espaços mais adequados.

O promotor de Justiça, Miguel Granato Velasquez , especialista em Direito Comunitário e Infância e Juventude, apresentou a orientação constitucional referente a escola inclusiva, onde determina que as pessoas com deficiência têm direito a estudar em escolas regulares. “A comunidade escolar tem que estar preparada para romper preconceitos, conviver com a pluralidade e garantir tratamento igualitário respeitando as diferenças”, afirmou. Ele lembrou que os primeiros intérpretes na colonização brasileira foram as crianças. “Porque elas têm a facilidade de se comunicar, então por quê não incluir no currículo inicial o aprendizado em libras?” questiona o Promotor. Velasquez também defende a manutenção das escolas especiais, pois entende que o processo de inclusão escolar nas regulares não pode se transforma em modismo, sendo que muitos alunos podem não se adaptar nessa escola, destacou.

A 3ª edição do Ciclo de Debates sobre Inclusão Escolar abordou sobre a necessidade da construção de estratégias que garantam a inclusão escolar responsável. Nos cinco encontros realizados foram debatidos as Estratégias de Acessibilidade, Cidadania, Aprendizagem, Currículo e Convivência.

Iniciativa

O Fórum pela Inclusão Escolar e os Ciclos de Debates são iniciativas de um grupo de trabalho formado por representantes das escolas especiais do município, da Sala de Integração e Recursos (SIR), da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre, da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa), Prefeitura Municipal de Porto Alegre e gabinete da vereadora Sofia Cavedon.

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sábado, 16 de outubro de 2010

Mobilização e Agenda do RS - Dilma Presidente

A mobilização
Construir a onda 13 no Rio Grande para eleger Dilma presidente foi definida através de uma grande agenda de mobilização.

A agenda prevê atividades de rua, contato com a população gaúcha, caminhadas, panfleteação e contará com a mobilização de todos os partidos e lideranças presentes na plenária.

A ordem é tomar as ruas, adesivar o peito, colocar a bandeira no ombro e debater com todos os gaúchos e gaúchas a necessidade de eleger Dilma Presidente, porque o Rio Grande quer crescer no ritmo do Brasil; quer garantir que os investimentos feitos vão continuar aqui. Mostrar o que o governo federal, com Lula, já fez pelo Rio Grande, com obras como a duplicação da BR 101 de Osório a Torres, a implantação do Pólo Naval, com o ProUni que já levou 50 mil alunos de baixa renda para as universidades, com o programa Luz para Todos que já atendeu a 83 mil famílias, e o Minha Casa Minha Vida já beneficiou mais de 51 mil famílias gaúchas.

AGENDA

18.10 (segunda-feira)
TARSO GENRO, BETO GRILL, OLIVIO DUTRA:
18h30 – Grande ato com todas as lideranças religiosas do RS
Local: Auditório do Comitê Central.

19.10 (terça-feira)
OLIVIO DUTRA: Atividades de manhã no centro de Porto Alegre
BETO GRILL: 14h00 – Agenda 2020.

*20.10 (quarta-feira)
OLIVIO DUTRA: Atividade todo o dia em Gravataí
TARSO GENRO: 18h30 – Caminhada em Santa Maria
BETO GRILL: 19h00 – Jantar regional São Lourenço
* estas agendas poderão ser alteradas de acordo com a definição das agendas nacionais.

*21.10 (quinta-feira)
TARSO GENRO: 20h00 – Atividade da campanha Dilma
BETO GRILL: 19h00 – Comício em Nova Prata (30 municípios).
OLIVIO DUTRA: Atividade de manhã em Alvorada.
* estas agendas poderão ser alteradas de acordo com a definição das agendas nacionais.

*22.10 (sexta-feira)
BETO GRILL: 14h30 – Visita à Santa Casa de Pelotas
OLIVIO DUTRA: Atividade durante a tarde em Porto Alegre
TARSO GENRO: 19h00 – Caminhada Caxias
BETO GRILL: 19:00 h – Jantar com ex-alunos do Colégio Municipal Pelotense - Local: Museu do Colégio
* estas agendas poderão ser alteradas de acordo com a definição das agendas nacionais.

23.10 (sabado)
OLIVIO DUTRA: Atividade durante a manhã em Porto Alegre.
TARSO GENRO: 11h00 – Carreata – Novo Hamburgo
TARSO GENRO: 15h00 – Carreata – Sapiranga
TARSO GENRO: 17h00 – Carreata - Taquara
BETO GRILL: (Agenda em Municípios da Zona Sul – C/Prefeito Batata)

24.10 (domingo)
TARSO GENRO: 10h00 – Carreata – Vale do Gravataí
TARSO GENRO: 17h00 - Carreata – Vale do Gravataí
BETO GRILL: (Agenda em Municípios da Zona Sul c/Prefeito Batata)

25.10 (segunda-feira)
OLIVIO DUTRA: Atividade em Caxias do Sul
BETO GRILL: (Agenda em Municípios da Zona Sul c/Prefeito Batata)

26.10 (terça-feira)
TARSO GENRO: 09h00 – Passo Fundo
TARSO GENRO: 12h00 – Erechim
BETO GRILL: Agenda em Municípios da Zona Sul c/Prefeito Batata)

27.10 (quarta-feira)
TARSO GENRO: 12h00 – Participa do “Ta na Mesa” - FEDERASUL
TARSO GENRO: 16h00 – Rio Grande
TARSO GENRO: 20h00 – Pelotas
BETO GRILL: Atividade à Tarde em Santana do Livramento c/Beto Albuquerque.

28.10 (quinta-feria)
TARSO GENRO: 10h00 – Bagé
TARSO GENRO: 15h00 – Uruguaiana
BETO GRILL: 20h00 – Aniversário Diário Popular – Pelotas – 120 anos – Local: Turis Park Hotel.
22h00 – Ultimo debate entre Dilma x Serra na TV.

9.10 (sexta-feira)
TARSO GENRO: 11h00 – Santo Ângelo
TARSO GENRO: 15h00 – Cruz Alta

30.10 (sabado)
TARSO GENRO: 11h00 – Caminhada – São Leopoldo
TARSO GENRO: 17h00 – Caminhada Cidade Baixa – Porto Alegre.

Agenda Senador PAULO PAIM
Estão previstas atividades nas seguintes regiões:
PORTO ALEGRE
VALE DO GRAVATAI
VALE DO SINOS
VALE DO TAQUARI
SERRA
LITORAL SUL.
As atividades específicas do Senador Paim em cada uma dessas regiões estão sendo detalhadas.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bisol: professor é quem faz o ser humano acreditar em si

93ª SESSÃO ORDINÁRIA 13/10/2010

(Texto sujeito a alterações, devido à revisão do orador.)

Palestra do Professor José Paulo Bisol durante o período de Comunicações.

O SR. PRESIDENTE (Nelcir Tessaro): Hoje, este período é destinado à palestra do Professor José Paulo Bisol, sobre o tema “O Professor e a Educação”. Convidamos o Sr. José Paulo Bisol para compor a Mesa.

O Sr. José Paulo Bisol está com a palavra para falar sobre o tema: O Professor e a Educação.

O SR. JOSÉ PAULO BISOL: Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Ver. Nelcir Tessaro; Srs. Vereadores e Sras. Vereadoras, autoridades presentes, meus senhores e minhas senhoras, eis-me aqui, com a sensação de um fantasma, como se eu emergisse das sombras, do esquecimento, da marginalidade, e me encontrasse, de repente, até com certa surpresa, perante um microfone, outra vez, a falar.

Não posso deixar, desta vez, de falar, realmente, como um fantasma. Lacan insiste muito na ideia de que, via de regra, as pessoas morrem duas vezes: morrem simbolicamente e morrem ao morrer, morrem ao ir embora, ao desaparecer, ao dissolver-se no infinito. Lacan diz que há uma vida estranha, diferente entre as duas mortes, entre a morte simbólica e a morte chamada assim de real. Ele cita o caso de Napoleão, que, quando esteve na ilha, já estava simbolicamente morto e tentou viver de novo, mas a vida não era mais a mesma coisa. A vida era uma vida de fantasma, o fantasma de Napoleão. Eu sou, sem tristeza nenhuma, afirmo isso, um fantasma. Eu morri simbolicamente. Se vocês não testemunharam isso, foi porque não quiseram testemunhar. Eu fui objeto de destruição explícita, clara. Se vocês não lembram disso é porque não tinha importância, mesmo. Mas a posição de um homem que falava, de um homem que discutia, de um homem que queria escavar e encontrar a verdade, de um homem que sabia que a verdade não se dá com facilidade, de um homem que sabia que não se apanha nunca a verdade inteira, de um homem que sabe que isto não pode esgotar-se jamais - esse esforço para buscar um pouco mais de verdade -, esse homem acabou, a mídia o destruiu. E ele saiu, morreu simbolicamente.

A Sofia, de repente, me telefona e diz: “Nós, os professores, gostaríamos que voltasses a falar.” Quero dizer aos professores que eu só estou aqui, neste momento, porque foram os professores que me convidaram. Para mim, a figura do professor é crucialmente central. Para mim, a figura do professor não é apenas a figura do mestre, daquele que sabe, daquele que transfere o saber. Para mim, a figura do professor é a daquele que faz o ser humano acreditar em si mesmo, ensinar a ser si mesmo, ensinar a ser gente, contribuir com a formação de um ser humano aberto, capaz de ousadias, de aventuras, mas com talento para a fidelidade. Esse professor é o criador da vida, é o criador da relação, ele está ali para fazer emergir a verdade. E a verdade é o desiderato mais difícil do ser humano.

Eu estou acostumado a ouvir e vejo que as pessoas, normalmente, quando falam, falam com a convicção de que estão dizendo a verdade, o que, aliás, é um bom sinal. Mas percebo também que raramente a pessoa se dá conta de que ela não é absoluta. É tão estranho dizer isto, mas o absoluto nos infernaliza a vida, o absoluto nos esmaga, o absoluto nos humilha, o absoluto nos marginaliza. E, nas horas cruciais da existência, os donos da palavra, os donos do absoluto acabam impondo. Um dos absolutos com os quais nós convivemos diariamente é a mídia. Você vive a sua vida particular, com seus ideais, fazendo seus esforços, alimentando suas crenças, tentando ser cada vez mais claro para você mesmo e para os outros, mas, se alguém na mídia resolve dizer algo a seu respeito, verdade ou não verdade - prestem bem atenção -, não há defesa possível! Então, eu ouço, por exemplo, um jornalista - quase que diariamente vocês podem ver isso - ir ao microfone de sua emissora e dizer: “Eu sou imparcial.” Em futebol isso é diário! A pessoa é supergremista ou supercolorada, mas vai lá, aperta um botão e diz: “Eu sou imparcial.” Aperta outro botão: “Bom, volto a ser normal.”

Ultimamente, um conhecido colunista gaúcho foi ao microfone - ele não faz mais esporte, mas iniciou a sua carreira fazendo esporte - e contou, lembrou dos tempos em que ele fazia esporte e, no final, ele disse: “Agora eu posso dizer que sou colorado. Pois, então, eu sou colorado!”

A pergunta que eu faço é a seguinte: quem é que, gostando de esporte, no Rio Grande do Sul, não sabia que ele era colorado? Gente, é possível apertar um botão e, a partir daí, ser imparcial? Mas a pergunta não simplificada é esta: existe metalinguagem? Existe uma linguagem sobre a qual eu me torne capaz de decidir com absoluta neutralidade qualquer coisa? Olha, eu fui juiz, foram trinta anos de existência de juiz, e sempre senti humanamente alguma coisa em relação às causas. Quer dizer, não era a minha razão, havia alguma coisa em meu ser que se inclinava, ab initio, para uma determinada decisão. E eu, para ser imparcial, tinha que fazer a revisão disso, examinar profundamente e buscar a imparcialidade. Ou seja, em cada sentença você tem de conquistar a imparcialidade, simplesmente porque o ser humano é um ser relativo, simplesmente, porque nós somos divididos – e aqui eu volto a Lacan. Desde que Freud trouxe a sua lição para o mundo e nos transferiu os conhecimentos que conquistou, nós sabemos que cada um de nós é um ser que lida conscientemente com as coisas e que lida inconscientemente. Ou seja, o inconsciente existe, não existe? Você, que está me ouvindo, não tem inconsciente? Você tem um controle absoluto sobre o seu inconsciente? Pelo menos, deixem relembrar isso.

A gente nasce completamente sem qualquer consciência. A gente passa os primeiros meses completamente na inconsciência. Nós somos seres radicalmente inconscientes nos primeiros meses de vida. Tanto que os analistas hoje examinam isso. No tempo de Freud, se dizia que o bebê tinha uma relação com a mãe como um ser total. Até que surgiu Abraham e disse que a criança, o infante não tem relação com a mãe, nem com o pai, nem com ninguém. O infante tem relação com partes dos outros: tem relação com o seio, tem relação com a voz, tem relação com o cheiro e com todos esses objetos, que eles chamam de objetos parciais. Mas não tem uma relação com a mãe como um todo, porque não tem, ainda não formou sequer o esboço, sequer o início de sua consciência, isto é, não tem aptidão para apanhar uma totalidade. Não é porque ela é infeliz, não é porque ela é errada, doente; é porque ela é um bebê. Simplesmente é assim. E, quando começávamos a estudar essas questões, víamos que, aos pouquinhos, a criança se desenvolve e fica apta para apanhar o ser integral da mãe, depois, do pai, etc.

Eu estou dizendo tudo isso para insistir numa coisa em que, raramente, nós pensamos: que nós somos, também, inconscientes. Nós não somos só esse ser consciente que imaginamos. Nós somos também, e de uma forma decisiva, um ser inconsciente, com forças que atuam fora de nosso controle.

Então, o bebê, segundo Karl Abraham, vai se fixando em objetos parciais. Tanto que, depois, se consagrou na psicanálise a ideia da evolução da morfologia perversa da criança nos primeiros meses. Ou seja, a criança, o infante, até um ano e pouco, digamos que nos primeiros meses de vida, desenvolve sensibilidades. A expressão que mais me pareceu correta é que ela desenvolve sombras mnésicas. Essas sombras mnésicas de momentos que lhe deram prazer, de momentos que lhe deram conforto, gosto de estar ali, são revividas sempre que elas entram em tensão.

Então, não é verdade, disseram os psicanalistas depois de Abraham, não é verdade que a criança, de repente, amadurece e vê a mãe como um todo, o pai como um todo. A verdade é que ela cria, dentro de si, uma espécie de objeto transcendente. É esquisito dizer isso, porque a versão que estou dando é bem materialista. Mas é uma espécie de objeto transcendente, quer dizer, essas sombras mnésicas que lhe deram prazer, alegria de estar viva, revivem cada vez que ela precisa se sentir melhor. E essas sombras mnésicas vão se desenvolvendo de tal forma que a criança se fixa não nos fatos que geraram os momentos prazerosos que deram razão de ser às sombras mnésicas, ela se fixa no tipo de relação que gerou essas sombras mnésicas. Então, ela vai reproduzir uma forma de relação em cada caso - como angústia, para resolver as suas angústias -, dependendo do prazer que ela está procurando.

Segundo Lacan, nós aí acabamos por formar o que ele chama, estranhamente, de objeto pequeno a, objeto a minúsculo. Por que ele chama assim? Ele chama assim, porque essa dimensão do ser humano, essa dimensão do inconsciente é inacessível do ponto de vista da simbolização, da razão. A razão não alcança, mas ela tem consequências extraordinárias na nossa vida, porque, depois, cada homem vai procurar um certo tipo de mulher, e cada mulher vai procurar um certo tipo de homem que seja apto, por suas particularidades, a provocar essas instâncias mnésicas de prazer. Ou seja, este objeto - objeto no sentido psicanalítico – que está dentro de nós e que não é nós, que vem de fora, que é um sistema de relações que aconteceram num período inconsciente de nossa vida, acaba sendo definitivo para a nossa existência, porque é a partir dele que nós vamos amar, odiar e outras coisas.

Então, eu insisto nesse detalhe - não quero forçar nenhuma interpretação, eu sei que não é fácil para quem não está habituado -, para que nós comecemos a pensar assim: eu sou um ser razoavelmente consciente. E isso é muito bom! Isto é, eu sou um ser capaz de pensar, eu sou um ser capaz de decidir. Tudo isso está certo. Mas até onde você decide? Você está vendo se é verdade o que eu acabo de simplificar? Você está vendo que a sua escolha amorosa está dependendo de um período de existência em que você não tinha a menor consciência? Eu estou simplificando, porque, se eu entrar ainda na questão dos traumas que ocorrem, pelo menos, no período inicial da existência, aí isso fica bem mais complicado. Mas a minha insistência é porque eu estou aqui conversando com os professores. Professor é fantástico, porque não se trata de transferir racionalidade. Transferir racionalidade é muito pouco! Mas muito pouco mesmo! Geralmente, os grandes homens maldosos da história humana foram rigorosamente racionais. E, se vocês leram Sade, vocês sabem que ele não é brincadeira não! Embora não tivesse nem talento para escrever, as verdades que ele desnuda são terríveis, dramáticas, dolorosas.

Então, é sobre isso que eu quero chamar a atenção: é que ninguém é dono de metalinguagem nenhuma. Você é daquelas pessoas que chega em casa e diz: “Aqui está a verdade!”? Ou que tem repentes e diz: “Não quero ouvir mais nada, chega, a verdade é esta!”? Ou, se você vive como se fosse um frequentador da verdade, eu vou dizer sinceramente para você - preparem uma vaia colossal: “Você está enganado! Você está redondamente enganado!”

E eu vou dizer mais. Essa paixão que a gente vê, por exemplo, na mídia brasileira: “Eu dito a verdade!”. É só ligar a televisão que você vê. Você vai, por exemplo, perceber... Eu percebi isso há poucos dias, porque ia haver o Campeonato do Mundo, aí eu resolvi comprar a tal de HD. Agora eu quero devolver a HD, porque eu não estou aí para aguentar as idiotices e as vulgaridades americanas da manhã até a noite. Nós compramos o que há de mais vagabundo nos Estados Unidos, porque os Estados Unidos sabem fazer filmes, só que esses filmes raramente passam ali; eles passam aqueles com água e açúcar, para vulgarizar você, para tornar você bem inconsciente de sua inconsciência. Você liga: “Eu quero ouvir música italiana”. Duvido você achar na tal HD! Bom, eu quero ver um filme com um certo valor artístico; de vez em quando aparece um Marlon Brando ou coisa assim. Mas, normalmente, você liga e você vê só superficialidade. E você fica colonizado. Você! O rei da metalinguagem! O rei da verdade! O desassombrado herói das palavras definitivas! Você engole aquela porcaria diariamente. É colonizado! É orientado a ter sentimentos pequenos! Começa a gostar de coisas insignificantes.

Eu digo: o que é um professor? Um professor, no meu simples entendimento, é aquele que diz assim: “Meu filho, não existe metalinguagem”. “Ah, mas a Bíblia, a Revelação, etc.” Não existe metalinguagem! E você tem que, primeiro, ter a liberdade de crer. Você quer crer em Deus? Assuma a sua liberdade e creia. Você quer crer nesta religião e não naquela? Assuma, creia; é do ser humano, é um direito seu. E nós outros temos que morrer para defender esse direito. Agora, se você é religioso e quer interferir na minha e quer impor a sua crença? Um cretino, é isso. Não há por que escolher as palavras. Você tem o sagrado direito da crença. Você nasce árabe, você tem a crença muçulmana; você aprende que matar uma multiplicidade de pessoas inocentes, crianças, mulheres, trabalhadores, boa gente, em nome de Deus... Você aprendeu isso, sua religião lhe ensinou que, se você matar em nome de Deus, você vai para o paraíso com trinta mulheres - ainda tem esse absurdo no meio -, com trinta mulheres a seu gosto, isto é, mulheres que são ao gosto de cada um é porque são prostitutas, mas é o que oferecem a eles. É duro dizer, não é, gente? É duro dizer isso. “Ah, mas os muçulmanos!” Na Idade Média, a Igreja Católica matou milhares de inocentes na fogueira com a maior frieza, porque eles eram donos da metalinguagem, porque eles não tinham tido bons professores. Os professores não apareceram e disseram: “Meu filho, não existe metalinguagem. Seja mais generoso, você tem direito à crença, creia; você tem direito ao ritual, pratique o ritual; você tem direito a discutir, a defender a sua ideia religiosa; defenda, pratique, estou aí para estimular isso aí!”

No momento em que você quer interferir na minha liberdade de crer, me desculpe, nesse momento você me revela que não é quem quer parecer; nesse momento você me revela que não teve bons professores; nesse momento você me revela que acha que existe metalinguagem e que você é o homem da metalinguagem, que quando você fala tudo é claro, racional. A racionalidade humana é limitada. O eu - para usar uma expressão praticamente fora de moda - é uma série de identificações. Quando você tinha quinze anos você era o eu, esse mesmo eu? Quando você tinha dez, vinte anos, você era o mesmo eu? Não, você fez uma série de identificações; você foi - graças a Deus, aliás - mudando, porque o eu não existe a não ser na imaginação. E o ser humano, para ser sujeito, tem que ingressar numa dimensão realizadora da vida; só viver não faz do ser humano um ser sujeito. Por quê? Porque eu preciso, por exemplo, encontrar uma relação afetiva, amorosa, escolher uma pessoa para viver comigo de uma forma tão correta, tão exigente, porque eu faço uma escolha e, depois, tenho que passar a vida inteira - prestem bem atenção ao que eu estou dizendo, porque eu não vou retirar, e vocês têm o direito de me vaiar -, vocês vão ter que lutar a vida inteira para manter essa relação. Porque vocês vão estar à beira da bofetada, do pontapé, milhares de vezes! E, se vocês não perceberam isso até agora, podem estar certos, não vão perceber mais nada. Ou seja, você tem que reconstruir sua relação afetiva com carinho e devoção, gostar dela para recriá-la dia a dia.

E eu vou dizer outra coisa escandalosa para vocês: nem a relação sexual é completa. Deveria ser, porque é a única relação com o outro em que a gente coloca a materialidade do corpo, além das tendências, inclinações, conscientes e inconscientes. Essa relação seria paradigmática! Seria “a” grande relação humana. Mas todos nós sabemos que ela é incompleta, difícil. Eu vejo aí os galãs, os dom-juans, os conquistadores se glorificarem por suas aventuras. Eu fico olhando: “Que desgraçado, como deve ter sofrido!” É difícil! A relação homem e mulher é difícil! O desencontro é quase que certo. É claro, o desejo acoberta a verdadeira situação.

Então, o que eu estou querendo dizer é que ser professor não é tão simples assim. “Ah, vou te ensinar inglês, matemática. Vou te ensinar a pensar!” Opa! Pensar? Como é que eu estou acostumado a pensar?

O que vale um professor! O que vale um professor de verdade! Vocês podem ouvir um radialista dizer: “Eu sou imparcial, eu tenho a metalinguagem”. Tudo bem! Mas vocês não veem um Hegel dizer isso, vocês não veem um Jacques Maritain, pensador cristão, dizer isso, vocês não veem uma grande pessoa, capaz de trabalhar com a cabeça, afirmar isso. Todos os autores que vocês lerem, que forem bons autores, vão dizer para vocês: “Você é um ser relativo. Nada é completo em você”. Repito: nada é completo em mim e nunca foi, e nada é completo em você. E, se fosse completo, estaria na hora de morrer, não é verdade? Estou completo, estou pronto. Não, você vai ter que lutar até o último dia.

É nesse sentido que eu gostaria de vir aqui e ser capaz de cantar o sentido vibrátil, generoso, criador do status de professor. Professor é isso, é para criar essa coisa difícil que se chama verdade, é para me dizer: “Olha, Bisol, tu gostas muito de ler, mas tu vais ler até a morte e não vais aprender tudo, nem perto de tudo”. E só alcança a verdade por pedaços, como qualquer outro. Nós temos que ser suficientemente comunitários, aprender a nos querer bem, a nos amar, para sabermos isso e nos completarmos, porque, na hora em que surge o excesso de poder, por exemplo, politicamente, vocês podem prestar atenção, detrás desse excesso de poder está um saber mentiroso, um saber falso. Detrás de um Hitler existe uma grande mentira, um grande não saber, e é justamente por esse não saber que a metalinguagem não existe. Os seres humanos seriam muito melhores se não fosse essa pretensão de metalinguagem. Se você não estivesse cercado por pessoas oniscientes, se você não estivesse cercado por pessoas que se acham capazes de tudo, você viveria num mundo melhor. E eu sinto aqui, olhando humildemente para vocês, que vocês sabem do que eu estou falando. Todo mundo sabe, mas, não sei por que, chega lá fora e diz: “O meu credo é o melhor; o meu Deus é o melhor; a minha verdade é a mais verdadeira; os outros são enganados, eu não; e eu estou aí para impor!” E o resultado disso tudo é que a democracia, por exemplo, fica uma coisa tremendamente pobre. Eu vou dizer uma coisa para vocês sem receio nenhum - não vou mencionar lados, porque não é isso que me interessa: essa eleição brasileira é uma vergonha para a nossa democracia. A democracia brasileira está num mau momento! É uma eleição sem respeito recíproco, é uma eleição sem grandeza e é uma eleição que desconforta as pessoas. As pessoas se sentem inconfortáveis com esse tipo de luta, pois o que é que nós queremos com esse tipo de luta, com esse vale-tudo, com esse jogo? Esse é o jogo da subliminalidade. Você liga um aparelho e você sente subliminarmente para quem eles estão trabalhando, e a coisa perde o sentido. O que mais nos falta? É isso o que eu quero dizer para vocês. Antigamente eu falava de uma forma diferente. Eu tinha a minha doutrina, a minha concepção do mundo e a defendia; procurava ser menos crítico, menos amargo. Mas estou fazendo, daqui a alguns dias, 82 anos de idade. Pode ser que eu tenha que curtir no inferno algumas mentiras, mas nenhuma foi cometida hoje neste plenário! Não menti para vocês. Vim aqui para abrir meu coração e dizer que sou um apaixonado pelo Estatuto do Professor, este ser humano criador de justiça, criador de equilíbrio, criador de sentido, porque o sentido não cai do céu! Vocês sabem disso! A gente tem que criar o sentido.

E o professor não é este ser que induz a ir a determinado caminho; é este ser que nos mostra como ser mais consciente do que inconsciente, mais generosos, mais capazes de admirar, de querer bem; sermos mais críticos, mais exigentes. Que nos ensine a querer a democracia de verdade, a democracia do debate claro, a democracia da exposição das ideias, da defesa das ideias, a democracia da verdade pessoal de cada um; a democracia daqueles que tiveram, na sua vida, um patrocinador, um orientador, um homem com dignidade: um professor. Parabéns, professor! (Palmas.)

(Não revisado pelo orador.)

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domingo, 10 de outubro de 2010

Boas novas para a Educação!

Outubros são sempre simbólicos. Com a Primavera, as cores, os perfumes o tempo ameno, as crianças e os professores são festejados. Meses de esperança e de novos propósitos, de desejos de mudança. Pois nem a infância está protegida, nem os professores valorizados como queremos e precisamos!

Na era conhecimento, da inovação, da velocidade, a educação segue no giz, no pó, na sala de lata, empobrecida nas condições físicas, nos salários, no currículo. Pede-se aos trabalhadores em educação que sejam homens e mulheres de boa vontade, aos pais compreensão quando se fecham bibliotecas para atender alunos sem aula, aos estudantes conformidade se não abre a sala de informática ou sequer existe... Trivializou-se tanto estas condições que o espanto e a indignação, quando expressos em mobilizações de trabalhadores ou de estudantes, são muitas vezes repudiadas pela sociedade!

A educação é exemplar da afirmação de Boaventura Souza Santos: tempos de mudanças vertiginosas e estagnação. Nunca tantas condições técnicas para superar desigualdade, miséria, violência, mas tão poucas condições políticas. O novo apartheid global que se estrutura, a retirada de direitos, a banalização da vida, o agravamento dos desequilíbrios ecológicos estão embaixo da capa da democracia sem condições democráticas, afirma ele. Embaixo do discurso da prioridade, a educação é miserabilizada. Quando o povo chega na escola, ela empobrece, superficializa, estagniza.

Mas Outubros também são para o Brasil e para a Educação momentos de importantes escolhas! O povo brasileiro, apesar dos limites do sistema político, vai aprimorando sua avaliação buscando projetos, seriedade e compromissos.

Estão de parabéns os professores e estudantes. As comemorações deste Outubro vão celebrar a esperança advinda das escolhas e vão anunciar Primaveras mais fecundas ainda!

Sofia Cavedon – Vereadora do PT/PoA

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Primaveras mais fecundas...

Aos professores, Outubros melhores, Primaveras mais fecundas...

Outubros são sempre simbólicos. Com a Primavera, as cores, os perfumes o tempo ameno, as crianças e os professores são festejados. Meses de esperança e de novos propósitos, de desejos de mudança. Pois nem a infância está protegida, nem os professores valorizados como queremos e precisamos!

Na era do conhecimento, da inovação, da velocidade, a educação segue no giz, no pó, na sala de lata, empobrecida nas condições físicas, nos salários, no currículo. Pede-se aos trabalhadores em educação que sejam homens e mulheres de boa vontade, aos pais compreensão quando se fecham bibliotecas para atender alunos sem aula, aos estudantes conformidade se não abre a sala de informática ou sequer existe... Trivializou-se tanto estas condições que o espanto e a indignação,  quando expressos em mobilizações de trabalhadores ou de estudantes são, muitas vezes, repudiadas pela sociedade!

A educação é exemplar da afirmação de Boaventura Souza Santos: tempos de mudanças vertiginosas e estagnação. Nunca tantas condições técnicas para superar desigualdade, miséria, violência, mas tão poucas condições políticas. O novo apartheid global que se estrutura, a retirada de direitos, a banalização da vida, o agravamento dos desequilíbrios ecológicos estão embaixo da capa da democracia sem condições democráticas, afirma ele. Embaixo do discurso da prioridade, a educação é miserabilizada. Quando o povo chega na escola, ela empobrece, superficializa, estagniza.

Mas Outubros também são para o Brasil e para a Educação momentos de importantes escolhas! O povo brasileiro, apesar dos limites do sistema político, vai aprimorando sua avaliação buscando projetos, seriedade e compromissos.

O Rio Grande escolheu um programa que afirma que uma educação democrática, de qualidade e para todos, é possível!  É  anúncio  e compromisso com novos tempos para a Educação: de investimento e diálogo,  de ampliação e qualidade.

Estão de parabéns os professores e estudantes. As comemorações deste Outubros vão celebrar a esperança advinda das escolhas e vão anunciar Primaveras mais fecundas ainda!

Sofia Cavedon – Vereadora


Porto Alegre, 07 de outubro de 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Comunidade pede permanência do Lar Fabiano na Glória

Para Cézar Busatto, titular da Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local, o trabalho da instituição é exemplar, e a avaliação do governo tem sido de reconhecer isso. Ele ressaltou que a prefeitura as decisões do Lar Fabiano, mas que preocupa a situação das crianças hoje atendidas na região da Glória. “Temos que preparar nossas redes de proteção e o remanejamento de atendimentos a jovens e idosos”, avaliou. Busatto disse que a prefeitura de Porto Alegre está à disposição para qualquer possibilidade para que o Lar possa reconsiderar sua decisão. “Gostaríamos de ver alguma forma para contornar esta situação. Não nos cabe impedir, mas como se tratam de questões que envolvem vidas e famílias, nos atrevemos de colocar à mesa a possibilidade de entendimento e negociação”, finalizou.

Apelos

Além do apelo do Executivo e da comunidade para a permanência do Lar na região da Glória, a vereadora Juliana Brizola lamentou o ocorrido por ser uma situação que envolve crianças. Segundo ela, a Cece pedirá à direção da instituição que repense a decisão de sair do bairro. “Por melhor que seja o trabalho da instituição, ele não pode ser desmantelado, por mais que seja transferido para uma outra região”. Juliana questionou como serão atendidas estas crianças numa época de importante prevenção do crack, por exemplo. “Que a coordenadora leve este apelo. Quem perde não é a comunidade, mas a cidade no geral, por se refletir em toda a cidade. Não é justo com aquela comunidade”, salientou.

Norma Carvalho disse ficar sensibilizada com os apelos e que repassará para a direção as reivindicações dos organismos, mas não quis deixar nenhuma expectativa quanto à decisão que já está tomada. “Entendemos o quadro, mas evidentemente podemos pensar em alguma ação”, afirmou. Ela aproveitou para elogiar o governo municipal pela preocupação e atenção às crianças. “Porto Alegre é um exemplo a ser seguido nestas questões administrativas com a criança”.

O Lar Fabiano de Cristo tem representação nacional e existem unidades na região Sul, e que na Capital opera há 41 anos. Disse, também, que não é objetivo do Lar encerrar as atividades, mas atender comunidades de extrema pobreza. “Vimos os avanços e conquistas da comunidade (do bairro Glória) em que o Lar está inserido”, disse ao justificar a troca de local. Ela ressaltou que é importante a instituição permanecer aonde não há investimentos públicos.

Também estiveram presentes e expuseram os problemas com a migração do Lar Fabiano para outra região representantes da Fundação de Assitência Social e Cidadania (Fasc) e Secretaria Municipal de Educação (Smed), responsáveis por convênios com o Lar Fabiano de Cristo. A audiência foi presidida pela vereadora Juliana Brizola (PDT) e contou também com a presenaça do vereador Tarciso Flecha Negra (PDT).

Fonte: Assessoria de Imprensa da CMPA.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comenda Porto do Sol à jornalista Maria José Vasconcelos de Souza

PROJETO DE RESOLUÇÃO


Concede a Comenda Porto do Sol à jornalista Maria José Vasconcelos de Souza, editora de ensino da Empresa Jornalística Caldas Júnior Ltda. – Correio do Povo.

Art. 1º Fica concedida a Comenda Porto do Sol à jornalista Maria José Vasconcelos de Souza, editora de ensino da Empresa Jornalística Caldas Júnior Ltda. – Correio do Povo –, nos termos da Resolução nº 2.083, de 7 de novembro de 2007, e alterações posteriores.

Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
 

Os 115 anos do Correio do Povo, a serem comemorados em 1º de outubro próximo, revelam parte da história internacional, nacional e local por meio de fatos jornalísticos registrados durante mais de um século. Nas páginas do Jornal, política, economia, cultura, esporte e o cotidiano da população retratam valores, costumes, pensamentos e relações que se modificam, caracterizando diferentes épocas.

Na área educacional, o jornalismo do Correio do Povo permite resgatar trajetória de ações e desafios, oferecendo maior visão e entendimento do atual cenário. Nas páginas, escritas a partir de 1895, as notícias de educação e cultura se mesclavam, fazendo com que esses assuntos fossem organizados juntos. Por volta de 1920, o Correio do Povo passa a reunir os temas educacionais, dividindo-os e os divulgando sob o título de exames ou notas de ensino, que, mais tarde, viriam a formatar melhor a editoria própria, intitulada casas de ensino. Nessa seção, passam a ser assim agregados informes escolares, atividades acadêmicas e da esfera cultural e das letras. Crônicas, colaborações em verso e prosa, notas, matérias e até publicidade (que anunciavam, por exemplo, vagas em internatos e externatos para meninas e senhoritas, estudos em colégios religiosos e datas de início de aulas) revelam esse tempo, em que escritores e colaboradores, como Mario Quintana e Erico Verissimo, ocupavam também esse espaço caracterizado por um jornalismo ainda bastante opinativo.

As grandes páginas do Correio do Povo, diariamente escritas em formato standart, mantiveram a edição do setor educativo-cultural no espaço de casas de ensino até o fechamento do Jornal, em 16 de junho de 1984. Ao ser reaberto, em maio de 1986, voltou a circular a partir de 31 de agosto. Mas foi a partir de 26 de maio de 1987 que o jornal teve seu projeto gráfico modernizado, passando a ter formato tabloide e a dar trato mais objetivo às notícias, caracterizando-se como veículo informativo enxuto, de ágil leitura e econômica aquisição.

Na educação, as matérias do setor passaram então a ser realizadas pela equipe de reportagem da Editoria Geral, se misturando às notícias da Cidade. A importância e a demanda de assuntos educacionais, aliadas à vontade de dar um trato mais específico a essa área, criaram condições para que, a partir de 1998, começassem a ser produzidas e reunidas numa só página as matérias de ensino. O crescente sucesso dessa iniciativa foi consolidando a página de ensino, que, em 2001, obtém cartola em página diária própria no Jornal.

Grande parte dessa história de valorização e investimento na educação pelo Correio do Povo deve-se à jornalista Maria José, que criou a Editoria de Ensino, onde atua desde 1998, então junto com a Editoria Geral (até 2001).

Maria José Vasconcelos formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica – PUCRS – em 1990, quando entrou no jornal Correio do Povo, atuando como redatora, repórter, sub-editora, editora e chefia da Central do Interior.

Sua dedicação à educação advém da sua qualificada formação por meio de atividades no magistério, cursos de extensão na área didático-pedagógica, graduação em Pedagogia, especialização pautas próprias, repórteres mais regulares para tratarem dessa área – como o trabalho qualificado das jornalistas Ema Reginatto Belmonte e Vera Nunes – e acompanhamento diário de uma editora específica, a Editoria de Ensino passa a buscar, a partir de 2009, a construção de maior autonomia, com a formação de equipe de repórteres, redator e subeditor, para se agregarem ao esforço da Editora de Ensino, em empenho que ainda não se concretizou.

Assim, nesses dez anos de diária cobertura jornalística do setor educacional, a Editoria de Ensino se lança a novos desafios da modernidade, buscando fortemente imprimir um trabalho com agilidade, competência, seriedade, respeito, sensibilidade, compromisso social e qualidade, mostrando, no dia a dia, que educação, de fato, precisa integrar com importância a pauta da sociedade.

A página de ensino do Correio do Povo é, sem dúvida, leitura diária obrigatória de milhares de pessoas que nela acompanham a evolução da educação no Estado e no País e que buscam possibilidades de formação, de emprego e aprofundamento na área. Se, por um lado escolas, professores, alunos, entidades educacionais acompanham aí suas lutas, reivindicações, protestos, realizações, por outro, os gestores contam com importante instrumento de divulgação de suas propostas e ações e dos resultados obtidos, além de obter informações de como essas estão sendo recebidas, de outras iniciativas que estão sendo realizadas e dos problemas que os sistemas educacionais têm a enfrentar.

A página do ensino do Correio do Povo, com certeza, além de contar a história, faz história, e sempre no sentido da ampliação e da qualificação da educação.

Por tudo isso, conto com o apoio de meus pares para a aprovação desta homenagem, que reconhece a importância e que também pretende fortalecer a necessidade de uma editoria específica sobre a educação.

Sala das Sessões, 13 de setembro de 2010.

VEREADORA SOFIA CAVEDON

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casa do Bom Samaritano será fechada na Capital

História

A Casa do Bom Samaritano do Lar Fabiano de Cristo é uma instituição de Ação Social da Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios – Beneficente (Capemi), que tem por finalidades o amparo a famílias carentes (especialmente crianças e idosos), o incentivo à cultura e à educação e a promoção de ações sociais privadas, além do exercício de outras atividades de natureza social.

Conforme está publicado no site da Capemi (http://www.capemi.com.br/) três sociedades empresariais são controladas pela Capemi - Instituto de Ação Social: Capemisa - Seguradora de Vida e Previdência S.A., Salutar Saúde e Conapp Seguros. A associação é a mantenedora da obra desenvolvida pelo Lar Fabiano de Cristo e por mais de uma centena de instituições sob convênio. Há ainda inúmeros convênios mantidos com órgãos públicos, em todo o país. Em dezembro de 2008, a obra assistencial amparava 86,359 mil pessoas. Deste total, mais de 50 mil (o correspondente a 9,915 mil famílias) foram atendidas por programas do Lar Fabiano de Cristo.

Desde a criação do LFC, em 1958, aproximadamente 3 milhões de brasileiros já foram beneficiados. Quando a Instituição completou 20 anos, com o nome de Capemi – Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios - Beneficente, já contava com mais de 1 milhão de participantes que transformavam o antigo departamento do Lar Fabiano de Cristo em um dos maiores empreendimentos do Brasil.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Lições do Rio Grande - Faced/Ufrgs

Lições do Rio Grande: referencial curricular para as escolas estaduais. Apreciação da Faculdade de Educação da UFRGS


A Faculdade de Educação da UFRGS, envolvida e comprometida com a qualificação da educação escolar brasileira e gaúcha, tem contribuído com avaliações, apreciações e análises de propostas relacionadas à política educacional, das quais vale mencionar as que versaram sobre: a implementação do “calendário rotativo” na rede estadual do Rio Grande do Sul, em 1993; os parâmetros curriculares nacionais, em 1996; a proposta de plano nacional de educação do MEC, em 1997; a proposta de plano estadual de educação da Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul, de 2006; o documento-base da Conferência Nacional de Educação (CONAE), em 2009. Além desses, em cuja elaboração envolveu-se um grupo maior de professores, é intensa e de longa data a participação dos professores e grupos de pesquisa da Faculdade na formulação, acompanhamento, avaliação e análise de políticas educacionais do governo federal, assim como de estados e municípios brasileiros.

Em um momento em que chega às escolas da rede estadual do Rio Grande do Sul um conjunto de materiais didáticos, intitulado Lições do Rio Grande: referencial curricular para as escolas estaduais, entendemos ser oportuna nossa manifestação, com o objetivo de fazer algumas considerações a respeito das possibilidades de efetividade de uma ação inserida em política do campo curricular cujo objetivo explícito é a melhoria das condições de qualidade da Educação Básica pública estadual. A expressão que aqui inscrevemos, dada a incidência de nosso trabalho na formação de professores, volta-se, principalmente, em fazer alguns registros que permitam uma abertura de discussão no que concerne a conexões entre o/um referencial curricular e determinadas condições do trabalho docente.

Cabe esclarecer que não entraremos em análises do conteúdo dos cadernos, em suas áreas e disciplinas. Nossa compreensão é de o material possuir méritos em sua composição e conteúdo (seleção de tópicos, forma de abordagem, uso de bibliografia de referência), assim como outros recursos pedagógicos à disposição das escolas públicas brasileiras na atualidade, como, por exemplo, os livros dos programas nacionais de livro didático e biblioteca na escola ou inúmeros kits pedagógicos que vem sendo produzidos pelas secretarias do Ministério da Educação e distribuídos pelo país. Reiteramos, pois, que nossos registros sobre essa política curricular são de ordem mais geral.

Primeiro registro: autonomia da escola. Na introdução de todos os cadernos do Lições do Rio Grande, é afirmado que “A autonomia pedagógica da escola consiste na liberdade de escolher o método de ensino, em sua livre opção didático-metodológica, mas não no direito de não ensinar, de não levar os alunos ao desenvolvimento daquelas habilidades e competências cognitivas ou de não abordar aqueles conteúdos curriculares [habilidades e competências cognitivas e conteúdos mínimos do referencial Lições do Rio Grande]”. Retornamos, neste quesito, ao princípio da liberdade de ensino, ou liberdade de cátedra, inscrito na legislação brasileira das décadas de 1930-1960, quando se entendia que a autonomia dos professores se restringia à escolha de métodos e de orientações teóricas mais gerais das disciplinas, mas não dizia respeito à escolha de conteúdos. Na própria introdução dos cadernos é reconhecido o elitismo e a seletividade escolares desse período, então: a que serve este saudosismo num período de “escola para todos”? O reenquadramento da margem de autonomia das escolas é reconhecido pelo propositor, a Secretaria de Estado da Educação (SE/RS). Portanto, não estamos diante de referenciais curriculares, ou, pelo menos, estamos frente a referenciais curriculares e conteúdos mínimos/básicos, os quais nenhum professor pode se furtar de levar em conta e, portanto, nenhuma escola pode deixar de fora de suas propostas pedagógicas e planos de estudo. As políticas curriculares, assim como as demais, mas talvez de modo mais sensível, para serem implementadas, dependem de adesão por parte dos que vão implementá-las – neste caso, dirigentes escolares e professores; lembremos que estamos tratando de uma política que chega às escolas encontrando um legado, que não será suplantado apenas pela afirmação de que não se negocia a adoção dos conteúdos propostos. É claro que nossa defesa é a da autonomia da escola – pedagógica, administrativa e financeira -, mas, além disso, queremos sublinhar a concepção ingênua de extinguir certa autonomia e objetivar instaurar outra por uma declaração e pela disponibilização de cadernos, estando ausentes condições indispensáveis para a efetividade da política. Outro aspecto diz respeito às concepções pedagógicas em si, essas se constituem em referenciais que reúnem, pelo menos, as dimensões antropológica, axiológica e metodológica, portanto, os conteúdos são indissociáveis dessas dimensões

. Propostas pedagógicas e planos de estudo são muito mais complexos que a reunião de conteúdos, podem ser tidos como construções de sentido em que conteúdos estão articulados a teorias, metodologias e práticas, o qual não prescinde, ao contrário, requer, um nível de discernimento e autonomia dos educadores que não se restringe a meras técnicas de trabalho.

Segundo registro: referenciais curriculares ou propostas pedagógicas e condições do trabalho pedagógico. São amplos os itens que compõe as condições indispensáveis a um trabalho pedagógico eficaz. Valorização dos profissionais da educação, disponibilidade – em quantidade e qualidade – de insumos pedagógicos e adequada infra-estrutura física das escolas estão entre eles. A garantia destes quesitos exige gastos públicos, os quais, no Brasil e no Rio Grande do Sul, estão muito aquém do necessário para recuperar déficits, os mais recentes ou os historicamente acumulados, de condições de qualidade da educação escolar. A qualidade da educação escolar tem ficado, de fato, à mercê de sucessivos ajustes fiscais do estado do Rio Grande do Sul.

As escolas estaduais gaúchas recebem um repasse anual de recursos financeiros do governo estadual, que lhes disponibiliza, em média, 30 reais por aluno por ano. Esse é o principal recurso com o qual conta a maioria das escolas, fato que desnuda as limitadíssimas possibilidades de prover os estabelecimentos de ensino de certos insumos para um trabalho pedagógico de acordo com os requisitos de qualidade da contemporaneidade.

Outro fator é que o valor mínimo de remuneração (que não se confunde com piso salarial ou básico) pago a um professor da rede pública estadual, para 20h, é de R$ 510,00, valor que é um dos menores do país. Acresce-se a isso a descaracterização da carreira do magistério, pela prática, há anos, de fixação de um salário básico de baixíssimo valor, o que nivela os salários e, portanto, desacredita esforços de qualificação dos docentes (pelo menos no nível deste justo reconhecimento, de caráter monetário). É de R$ 336,19 o valor do salário básico do magistério, valor-base, sobre o qual são calculados os diferenciais de nível e classe, bem como de várias gratificações. Neste contexto, é importante lembrar que a Constituição Estadual determina que sejam gastos 35%, no mínimo, da receita líquida de impostos do governo estadual na manutenção e desenvolvimento do ensino. Nos últimos anos, este percentual não tem sido aplicado, com perdas em 2008 e 2009 superiores a um bilhão de reais em cada ano. Não podemos deixar de manifestar a indignação pelo descumprimento de um gasto mínimo em educação de 35% da receita de impostos, opção feita na assembléia constituinte gaúcha; que lições de cidadania podem dar governos que descumprem mandamentos elaborados no bojo da democracia representativa? O governo não é livre para escolher gastar ou não gastar o que está determinado na Constituição Estadual. A rede estadual foi encolhendo nos últimos anos: de 1996 para 2008, passou de um atendimento de 65% para 57% da matrícula na Educação Básica pública gaúcha. Com a reorganização da rede estadual no governo atual, foram fechadas escolas, foi incentivada a municipalização da pré-escola, foi aumentada a proporção de número de alunos por sala de aula, foi reorganizada a distribuição de funções no âmbito escolar. O que tem se mostrado visível é a ligação desses ajustes com as razões do ajuste fiscal do estado, permanece invisível a maior disponibilidade de recursos para a rede pública de ensino estadual, bem como as razões pedagógicas ou de eficácia das ações públicas nestes movimentos. Os referenciais curriculares chegam às escolas neste contexto que dissocia o que é esperado do trabalho docente para promover certas aprendizagens de habilidades e competências e o que o governo estadual está disposto a investir na qualificação da educação e na valorização dos profissionais da educação pública estadual. Nenhum material tem o poder de, isoladamente, mudar de modo significativo a qualidade do ensino, estando atrelado a outras condições - estruturais, materiais, salariais, entre outras. Um exame dos gastos estaduais em educação não revela um movimento de evolução positiva na oferta dessas condições, o que também põe em xeque as possibilidades de efetividade do Lições do Rio Grande, pelo menos nos objetivos a que se propõe.

Terceiro registro. Referenciais curriculares e políticas de formação inicial e continuada de professores. A formação inicial e continuada de professores é também requisito da qualidade da educação escolar e ganha neste texto menção específica pela ligação mais direta que tem com o Lições do Rio Grande, sem deixar de lado o que foi dito no registro anterior. O magistério da rede estadual gaúcha é bastante qualificado em termos de titulação. Dos quase 75 mil professores ativos em 2009, 43% possuíam licenciatura plena e 39% tinham pós-graduação. Sem dúvida, os diferenciais de salários entre os níveis da carreira constituíram incentivo para que o magistério buscasse sua qualificação, além da proliferação de diversificadas formas de acesso às licenciaturas e à pós-graduação nos anos mais recentes. Sem entrar no mérito do conteúdo de diferentes diretrizes ou referenciais – sejam diretrizes curriculares nacionais, parâmetros curriculares nacionais ou referenciais curriculares da rede estadual do Rio Grande do Sul ou propostas pedagógicas de escolas – nos parece urgente a abertura de diálogo para discutir política(s) de formação de professores. Propomos um diálogo interinstitucional e intergovernamental - incluindo, pelo menos, governo estadual, governos municipais, universidades e demais instituições formadoras de professores, entidades representativas das instituições formadoras de profissionais da educação, profissionais da educação e instâncias que os representam, conselhos escolares, conselhos de educação - no sentido de formulação de políticas de formação de professores e demais profissionais da educação, no bojo de um projeto de educação inscrito na proposta de constituição de um sistema nacional de educação.

O sucesso da implementação de políticas curriculares de governos ou de instituições está estreitamente ligado a políticas que incidam na formação docente – anterior ou concomitante ao exercício profissional –, bem como na disponibilização de outras condições, das quais fazem parte certos padrões básicos de qualidade da educação. Um conjunto de lições, isolado, não dá conta de iniciar uma inflexão expressiva no trabalho docente.

É nessa circunstância que propomos o debate e que convocamos o compromisso público dos candidatos ao governo do estado para com essa futura intervenção coletiva.

Comissão de sistematização: Nalu Farenzena, Juca Gil, Paola Zordan, Marise Amaral, Nestor Kaercher.

Porto Alegre, 15 de julho de 2010.

Johannes Doll - Diretor da Faculdade de Educação

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CARTA COMPROMISSO: Música na Escola

Os candidatos ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul são convidados a assinar essa Carta-Compromisso, que será divulgado à sociedade.

Objetivo: implementação da Lei Federal nº. 11.769, de 18 de agosto de 2008, que trata da obrigatoriedade do ensino da música na Educação Básica.

Considerando a Audiência Pública, solicitada pela Associação Brasileira de Educação Musical, realizada em 23 de abril de 2010 pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul;

Considerando o Grupo Técnico Música na Escola criado na Audiência Pública supra citada que tem por meta propor e monitorar ações e encaminhamentos práticos para a implementação da música nas escolas do Rio Grande do Sul;

Considerando que o Grupo Técnico Música na Escola é constituído por professores de música, músicos, representantes da Secretaria de Estado da Educação e das Secretarias Municipais de Educação, representantes de Instituições de Ensino Superior em Música do Rio Grande do Sul e das Associações Brasileira e Internacional de Educação Musical, ABEM e ISME (International Society of Music Education); representantes de associações e ONGs – como a Associação CUICA, representando, portanto a sociedade gaúcha;

Considerando a decisão do Grupo Técnico Música na Escola em encaminhar a presente carta compromisso;

Solicitamos que o (a) Senhor(a) ................., candidato(a) ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, assine o presente documento firmando o compromisso de agir ativamente para que em seu Governo haja:

1) Criação do Cargo de professor de música;
2) Abertura de concursos públicos para professores de música;
3) Investimentos na formação continuada de professores para atuar com música nas escolas;
4) Investimentos na infraestrutura e instalações necessárias para a implementação da música nas escolas;
5) Investimento em compras e manutenção de instrumentos musicais, equipamentos e materiais didáticos;
6) Fomento de grupos vocais e/ou instrumentais de diferentes estilos e formações, bem como a promoção de festivais estudantis de música na escola;
7) Criação de um portal para registro e socialização das ações de música nas escolas do Rio Grande do Sul;
8) Fomento e fortalecimento de parcerias com as instituições superiores de ensino de música para que o ensino de música na escola esteja articulado com as mais recentes pesquisas e avanços na área de educação musical.

Estando o(a) senhor(a) candidato(a) de acordo e comprometido(a) com a implementação da música no estado, fazendo cumprir a Lei Federal nº. 11.769/2008 e agindo para que nossas crianças, jovens e adultos possam aprender música, apreciar a cultura musical, ter alternativas profissionais na cadeia produtiva da música e tornarem-se cidadãos criativos, inovadores e partícipes da construção do patrimônio nacional, subscreve-se,

_________________________________
(Assinatura do candidato(a))

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Lições do Rio Grande: Faced

Lições do Rio Grande: referencial curricular para as escolas estaduais. Apreciação da Faculdade de Educação da UFRGS


A Faculdade de Educação da UFRGS, envolvida e comprometida com a qualificação da educação escolar brasileira e gaúcha, tem contribuído com avaliações, apreciações e análises de propostas relacionadas à política educacional, das quais vale mencionar as que versaram sobre: a implementação do “calendário rotativo” na rede estadual do Rio Grande do Sul, em 1993; os parâmetros curriculares nacionais, em 1996; a proposta de plano nacional de educação do MEC, em 1997; a proposta de plano estadual de educação da Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul, de 2006; o documento-base da Conferência Nacional de Educação (CONAE), em 2009. Além desses, em cuja elaboração envolveu-se um grupo maior de professores, é intensa e de longa data a participação dos professores e grupos de pesquisa da Faculdade na formulação, acompanhamento, avaliação e análise de políticas educacionais do governo federal, assim como de estados e municípios brasileiros.

Em um momento em que chega às escolas da rede estadual do Rio Grande do Sul um conjunto de materiais didáticos, intitulado Lições do Rio Grande: referencial curricular para as escolas estaduais, entendemos ser oportuna nossa manifestação, com o objetivo de fazer algumas considerações a respeito das possibilidades de efetividade de uma ação inserida em política do campo curricular cujo objetivo explícito é a melhoria das condições de qualidade da Educação Básica pública estadual. A expressão que aqui inscrevemos, dada a incidência de nosso trabalho na formação de professores, volta-se, principalmente, em fazer alguns registros que permitam uma abertura de discussão no que concerne a conexões entre o/um referencial curricular e determinadas condições do trabalho docente.

Cabe esclarecer que não entraremos em análises do conteúdo dos cadernos, em suas áreas e disciplinas. Nossa compreensão é de o material possuir méritos em sua composição e conteúdo (seleção de tópicos, forma de abordagem, uso de bibliografia de referência), assim como outros recursos pedagógicos à disposição das escolas públicas brasileiras na atualidade, como, por exemplo, os livros dos programas nacionais de livro didático e biblioteca na escola ou inúmeros kits pedagógicos que vem sendo produzidos pelas secretarias do Ministério da Educação e distribuídos pelo país. Reiteramos, pois, que nossos registros sobre essa política curricular são de ordem mais geral.

Primeiro registro: autonomia da escola. Na introdução de todos os cadernos do Lições do Rio Grande, é afirmado que “A autonomia pedagógica da escola consiste na liberdade de escolher o método de ensino, em sua livre opção didático-metodológica, mas não no direito de não ensinar, de não levar os alunos ao desenvolvimento daquelas habilidades e competências cognitivas ou de não abordar aqueles conteúdos curriculares [habilidades e competências cognitivas e conteúdos mínimos do referencial Lições do Rio Grande]”. Retornamos, neste quesito, ao princípio da liberdade de ensino, ou liberdade de cátedra, inscrito na legislação brasileira das décadas de 1930-1960, quando se entendia que a autonomia dos professores se restringia à escolha de métodos e de orientações teóricas mais gerais das disciplinas, mas não dizia respeito à escolha de conteúdos. Na própria introdução dos cadernos é reconhecido o elitismo e a seletividade escolares desse período, então: a que serve este saudosismo num período de “escola para todos”? O reenquadramento da margem de autonomia das escolas é reconhecido pelo propositor, a Secretaria de Estado da Educação (SE/RS). Portanto, não estamos diante de referenciais curriculares, ou, pelo menos, estamos frente a referenciais curriculares e conteúdos mínimos/básicos, os quais nenhum professor pode se furtar de levar em conta e, portanto, nenhuma escola pode deixar de fora de suas propostas pedagógicas e planos de estudo. As políticas curriculares, assim como as demais, mas talvez de modo mais sensível, para serem implementadas, dependem de adesão por parte dos que vão implementá-las – neste caso, dirigentes escolares e professores; lembremos que estamos tratando de uma política que chega às escolas encontrando um legado, que não será suplantado apenas pela afirmação de que não se negocia a adoção dos conteúdos propostos. É claro que nossa defesa é a da autonomia da escola – pedagógica, administrativa e financeira -, mas, além disso, queremos sublinhar a concepção ingênua de extinguir certa autonomia e objetivar instaurar outra por uma declaração e pela disponibilização de cadernos, estando ausentes condições indispensáveis para a efetividade da política. Outro aspecto diz respeito às concepções pedagógicas em si, essas se constituem em referenciais que reúnem, pelo menos, as dimensões antropológica, axiológica e metodológica, portanto, os conteúdos são indissociáveis dessas dimensões

. Propostas pedagógicas e planos de estudo são muito mais complexos que a reunião de conteúdos, podem ser tidos como construções de sentido em que conteúdos estão articulados a teorias, metodologias e práticas, o qual não prescinde, ao contrário, requer, um nível de discernimento e autonomia dos educadores que não se restringe a meras técnicas de trabalho.

Segundo registro: referenciais curriculares ou propostas pedagógicas e condições do trabalho pedagógico. São amplos os itens que compõe as condições indispensáveis a um trabalho pedagógico eficaz. Valorização dos profissionais da educação, disponibilidade – em quantidade e qualidade – de insumos pedagógicos e adequada infra-estrutura física das escolas estão entre eles. A garantia destes quesitos exige gastos públicos, os quais, no Brasil e no Rio Grande do Sul, estão muito aquém do necessário para recuperar déficits, os mais recentes ou os historicamente acumulados, de condições de qualidade da educação escolar. A qualidade da educação escolar tem ficado, de fato, à mercê de sucessivos ajustes fiscais do estado do Rio Grande do Sul.

As escolas estaduais gaúchas recebem um repasse anual de recursos financeiros do governo estadual, que lhes disponibiliza, em média, 30 reais por aluno por ano. Esse é o principal recurso com o qual conta a maioria das escolas, fato que desnuda as limitadíssimas possibilidades de prover os estabelecimentos de ensino de certos insumos para um trabalho pedagógico de acordo com os requisitos de qualidade da contemporaneidade.

Outro fator é que o valor mínimo de remuneração (que não se confunde com piso salarial ou básico) pago a um professor da rede pública estadual, para 20h, é de R$ 510,00, valor que é um dos menores do país. Acresce-se a isso a descaracterização da carreira do magistério, pela prática, há anos, de fixação de um salário básico de baixíssimo valor, o que nivela os salários e, portanto, desacredita esforços de qualificação dos docentes (pelo menos no nível deste justo reconhecimento, de caráter monetário). É de R$ 336,19 o valor do salário básico do magistério, valor-base, sobre o qual são calculados os diferenciais de nível e classe, bem como de várias gratificações. Neste contexto, é importante lembrar que a Constituição Estadual determina que sejam gastos 35%, no mínimo, da receita líquida de impostos do governo estadual na manutenção e desenvolvimento do ensino. Nos últimos anos, este percentual não tem sido aplicado, com perdas em 2008 e 2009 superiores a um bilhão de reais em cada ano. Não podemos deixar de manifestar a indignação pelo descumprimento de um gasto mínimo em educação de 35% da receita de impostos, opção feita na assembléia constituinte gaúcha; que lições de cidadania podem dar governos que descumprem mandamentos elaborados no bojo da democracia representativa? O governo não é livre para escolher gastar ou não gastar o que está determinado na Constituição Estadual. A rede estadual foi encolhendo nos últimos anos: de 1996 para 2008, passou de um atendimento de 65% para 57% da matrícula na Educação Básica pública gaúcha. Com a reorganização da rede estadual no governo atual, foram fechadas escolas, foi incentivada a municipalização da pré-escola, foi aumentada a proporção de número de alunos por sala de aula, foi reorganizada a distribuição de funções no âmbito escolar. O que tem se mostrado visível é a ligação desses ajustes com as razões do ajuste fiscal do estado, permanece invisível a maior disponibilidade de recursos para a rede pública de ensino estadual, bem como as razões pedagógicas ou de eficácia das ações públicas nestes movimentos. Os referenciais curriculares chegam às escolas neste contexto que dissocia o que é esperado do trabalho docente para promover certas aprendizagens de habilidades e competências e o que o governo estadual está disposto a investir na qualificação da educação e na valorização dos profissionais da educação pública estadual. Nenhum material tem o poder de, isoladamente, mudar de modo significativo a qualidade do ensino, estando atrelado a outras condições - estruturais, materiais, salariais, entre outras. Um exame dos gastos estaduais em educação não revela um movimento de evolução positiva na oferta dessas condições, o que também põe em xeque as possibilidades de efetividade do Lições do Rio Grande, pelo menos nos objetivos a que se propõe.

Terceiro registro. Referenciais curriculares e políticas de formação inicial e continuada de professores. A formação inicial e continuada de professores é também requisito da qualidade da educação escolar e ganha neste texto menção específica pela ligação mais direta que tem com o Lições do Rio Grande, sem deixar de lado o que foi dito no registro anterior. O magistério da rede estadual gaúcha é bastante qualificado em termos de titulação. Dos quase 75 mil professores ativos em 2009, 43% possuíam licenciatura plena e 39% tinham pós-graduação. Sem dúvida, os diferenciais de salários entre os níveis da carreira constituíram incentivo para que o magistério buscasse sua qualificação, além da proliferação de diversificadas formas de acesso às licenciaturas e à pós-graduação nos anos mais recentes. Sem entrar no mérito do conteúdo de diferentes diretrizes ou referenciais – sejam diretrizes curriculares nacionais, parâmetros curriculares nacionais ou referenciais curriculares da rede estadual do Rio Grande do Sul ou propostas pedagógicas de escolas – nos parece urgente a abertura de diálogo para discutir política(s) de formação de professores. Propomos um diálogo interinstitucional e intergovernamental - incluindo, pelo menos, governo estadual, governos municipais, universidades e demais instituições formadoras de professores, entidades representativas das instituições formadoras de profissionais da educação, profissionais da educação e instâncias que os representam, conselhos escolares, conselhos de educação - no sentido de formulação de políticas de formação de professores e demais profissionais da educação, no bojo de um projeto de educação inscrito na proposta de constituição de um sistema nacional de educação.

O sucesso da implementação de políticas curriculares de governos ou de instituições está estreitamente ligado a políticas que incidam na formação docente – anterior ou concomitante ao exercício profissional –, bem como na disponibilização de outras condições, das quais fazem parte certos padrões básicos de qualidade da educação. Um conjunto de lições, isolado, não dá conta de iniciar uma inflexão expressiva no trabalho docente.

É nessa circunstância que propomos o debate e que convocamos o compromisso público dos candidatos ao governo do estado para com essa futura intervenção coletiva.

Comissão de sistematização: Nalu Farenzena, Juca Gil, Paola Zordan, Marise Amaral, Nestor Kaercher. Johannes Doll - Diretor da Faculdade de Educação

Porto Alegre, 15 de julho de 2010.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Em Defesa da Uergs

 Grande Expediente: Sr. Presidente; Sras. Vereadoras, Srs. Vereadores, dedico este Grande Expediente à discussão da nossa Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Porque a sociedade gaúcha sonhou e se mobilizou por muito tempo para constituir sua universidade pública estadual. Sonho que todos os outros Estados do Brasil, quase todos, já realizaram há muito tempo; universidade como a USP, que é referência nacional e mundial na produção de conhecimento, na formação de professores, na formação dos mais diferentes profissionais e com excelência, ou seja, o nosso Estado, bastante retardatário, toma a sua iniciativa em relação à sua universidade própria. E por que uma universidade própria, se esse nível de ensino é de responsabilidade da União prioritariamente? Para um Estado ser protagonista, ter possibilidade de gestão, de implementação de pactos de relações entre as universidades privadas, as comunitárias, as federais e pensar e articular melhorias para a qualidade de ensino do Estado, para pensar, articular e realizar incremento de ciência, de tecnologia, é muito importante que ele tenha um instrumento como uma universidade estadual. E, mais do que isso, porque nós viemos de um processo muito recente de extensão, de inclusão dos jovens na universidade. Portanto toda a construção de universidade é fundamental. Há ainda um percentual muito pequeno de jovens chegando ao Ensino Superior.

E a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul nasceu com esse compromisso, com vários, um deles, o mais importante, é com o compromisso da descentralização, compromisso multicampi, compromisso de levar a universidade para os mais longínquos lugares deste Estado onde os jovens não conseguem ingressar no Ensino Superior por não conseguirem sair de suas famílias, virem morar em Porto Alegre, ou em Santa Maria, ou em Pelotas, bancarem o seu sustento e estudarem. Como faziam os nossos jovens?

Ora, a universidade nasceu em 2002, em duas edições, abriu 1.720 vagas no primeiro ano da nossa Universidade Estadual; em 2003, foram abertas quase 1.200 vagas; em 2004, 1.040 vagas; e em 2005, 1.280. E aí começou a redução brutal do ingresso na Universidade Estadual: em 2006, as vagas foram reduzidas para 720 e, em 2007, ocorreu o auge do não compromisso com a Universidade, quando não houve nem vestibular. Depois, ela foi retomada, mas com um caráter diferenciado: alguns cursos foram fechados em alguns lugares e em outros nem sequer houve vestibular.

Um exemplo disso foi o curso de Pedagogia que foi muito atingido e que, no caso de Porto Alegre, foi um curso construído, discutido, com as educadoras populares, que tinha um objetivo, qual seja, abrir vaga para as educadoras da periferia da Cidade. Tanto que o vestibular foi um memorial descritivo, não uma prova, e era necessário comprovar a atuação em entidades comunitárias educacionais. Foram selecionadas em Porto Alegre, em 2002, 150 educadoras, as quais estão formadas hoje e continuam atuando na periferia da Cidade. São educadoras que não conseguiriam, por trabalharem o dia inteiro - já são educadoras em creches - por serem mães de família e por estarem há muito tempo afastadas da escola, enfrentar o concorrido vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e muito menos pagar uma universidade privada, porque os seus vencimentos são um pouco mais do que um salário mínimo. Uma creche comunitária, mesmo conveniada com a Prefeitura, não tem condições de pagar salários que garantam ao profissional buscar a sua própria qualificação. Então, era obrigação do Estado público, do Poder Público, alcançar a universidade para essas educadoras, pois o efeito é imediato na atuação delas à frente das crianças de zero a seis anos, uma faixa etária extremamente delicada, estratégica, fundamental para o presente e para o futuro das nossas crianças. Sabe-se que interferências pedagógicas inadequadas também tiram a dignidade e as possibilidades das crianças também no presente e não só no futuro.

Ora, o curso de Pedagogia foi um dos atingidos nesse movimento de asfixia da Universidade Estadual, que, infelizmente, vem acontecendo nesses últimos oito anos. Porto Alegre, apesar do movimento das educadoras, apesar de reuniões, tanto com o Prefeito Municipal - porque esse curso nasceu da parceria Município e Estado -, não resultou em abertura de nova turma, e hoje é um curso fechado. Ora, uma Universidade Estadual, a Pedagogia da UFRGS não abriu, sequer pelo ProUni, mais nenhuma vaga. A PUC fez um movimento, via ProUni e filantropia, e acolheu outras 126 educadoras, mas também não tem mais fôlego para continuar. E nós estamos com uma demanda de 680 educadoras, só nas nossas creches comunitárias que precisam ir para a universidade. E a nossa Universidade Estadual não pode atender, pela falta de prioridade política, falta de visão estratégica e de compromisso com a Educação neste Estado.

Os recursos também retratam o que é esse movimento de esvaziamento da Universidade Estadual: em 2003, foram orçados 39 milhões, quase 40 milhões para a Universidade; em 2004, 28 milhões; e depois mantiveram-se em 28 milhões, só que não realizados, realizados 60% desse orçamento, que já era 40% abaixo do orçamento inicial da UERGS. Vocês imaginem que a UERGS, hoje, tem três mil alunos, e ela não é maior do que uma das nossas escolas grandes de Porto Alegre. Nós temos escolas com 120, 100 professores, e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul tem 106 professores, apenas professores do quadro da Universidade. Então, outro elemento do desmonte da UERGS foi a não realização de concurso, a não criação do cargo permanente de professor. Eu tenho relatos de cursos, como lá em São Francisco de Paula, que a nova reitora eleita conta que os alunos dizem: “Olha, professora, nós te adoramos, mas nós não aguentamos mais ter aula contigo”. Ou, como lá em Cidreira, que tem praticamente uma única professora dando aula no curso de Pedagogia e no outro curso ligado à questão marinha e biologia – eu não lembro agora bem o nome desse curso. Então, é uma professora, e aí a universidade faz uma parceira, traz lá da UFRGS para dar um curso especial, um quebra-galho sem tamanho. Como é que uma universidade, com diversos campi - 24 cursos são oferecidos, são 23 unidades de universidade -, se sustenta com 106 professores? Agora estão para ser nomeados dezessete professores do último concurso, mas não há jeito de serem nomeados. É um escândalo como é vista a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, que mudou já muitas vidas, e podia estar qualificado, por exemplo, a Educação neste Estado.


Vivemos, nesse último ano, um processo muito interessante, porque a Universidade também não consolidou a sua gestão democrática, não tem autonomia financeira. Continua, desde 2002, portanto, há oito anos, com Reitor indicado pela, agora, Governadora. A custo de ações judiciais, a comunidade escolar bancou a realização da eleição da Reitoria. Não pensem, não, que finalmente a Governadora ou o Reitor reconheceram e realizaram o processo respeitando o estatuto da Universidade. Os trabalhadores em Educação, alunos organizados no Conselho da Universidade, através de medidas judiciais, Ver. João Antonio Dib, bancaram a eleição direta de Reitor e Vice-Reitor!

Muito bem, foram eleitos; foram homologados pelo Conselho Universitário, e o que acontece agora? Nada de nomeação. Vejam só, como pode uma Universidade ser colocada em tamanha humilhação, eu diria. Temos um Reitor eleito. O Professor Guaragna foi eleito Reitor da Universidade, num processo reconhecido, bancado pela Justiça, reconhecido pelo Conselho Superior da Universidade, e a Governadora sequer recebe o Reitor e a Vice-Reitora eleitos. Não dá notícias de quando serão nomeados. Não faz a nomeação dos trabalhadores.

Olha, que não falei das condições físicas dos prédios e espaços, onde a Universidade abriga esses 23 cursos, que são precaríssimas! Precaríssimas! Quem quiser visitar, aqui na Av. Bento Gonçalves, junto ao Hospital São Pedro, vai enxergar – está presente a Andréia, uma professora da rede - piores condições do que uma escola municipal nossa. Uma fachada pichada; a sala dos professores da coordenação é uma saletinha; há quatro salas de aula. E essa é a nossa Universidade que abriga, aqui em Porto Alegre, um curso de gestão em Saúde Pública. E será que não é necessário com tantas demandas na Saúde? Dos alunos formados da primeira turma, quase todos estão empregados no Sistema de Saúde, ou seja, ele é muito importante para a nossa juventude, para as políticas públicas. Então, as condições de prédio acompanham a miserabilidade dos professores, dos recursos humanos, orçamento e vagas, como eu vinha relatando.

Aparte do Ver. Engenheiro Comassetto: V. Exa. permite um aparte? (Assentimento da oradora.) Ver.ª Sofia Cavedon, agradeço-lhe por me conceder aparte. Como a senhora está tratando do tema Educação, gostaria de aproveitar a sua fala para estender um convite a todos os que nos ouvem. Vai acontecer, nos próximos dias 2 e 3, o 2º Encontro de Estudantes do ProUni, com a presença do Ministro Haddad, no auditório da Feevale. Estão sendo convidados os milhares de jovens que ingressaram na universidade graças ao ProUni, financiamento do Governo Federal para jovens carentes nas universidades particulares, ou pagas. Muito obrigado.

SOFIA CAVEDON: Ver. Comassetto, quantos mil jovens, no Rio Grande do Sul - agora não tenho esses dados -, entraram na universidade pelo ProUni?

Engenheiro Comassetto: Mais de 47 mil.

SOFIA CAVEDON: Às vezes a gente fica se perguntando de onde a popularidade do Presidente Lula. Está explicado: quando se construíram políticas públicas tão ousadas para que os nossos jovens tenham alternativas?

É uma pena, Ver. Comassetto, que a nossa Universidade Estadual não tenha acompanhado este novo momento do Brasil, que é um momento, sim, de entender que o País, para dar o salto de desenvolvimento para uma sociedade pós-industrial, uma sociedade do conhecimento, tem que investir em Escola Básica de qualidade, Média de qualidade, Técnica de qualidade e Superior.

Vai estar conosco, na próxima quarta-feira, no IPA, o Dr. Marcio Pochmann. Aprendi muito com ele. Ele tem feito uma análise do momento que o Brasil vive: momento de novas infraestruturas, de investimentos, do Pré-Sal. Ele pergunta para nós, educadores: qual é o papel da Educação neste momento? Escolas Técnicas para qual Brasil, para qual mundo? E nos desafia dizendo: no tempo da nossa geração - e os senhores vão lembrar disso, Ver. Toni -, o teto era chegar à universidade; na sociedade do conhecimento a universidade é piso, não mais teto. Portanto, que a nossa Governadora pelo menos nomeie o Reitor e a Vice-Reitora eleitos para dar um novo sentido à Universidade Estadual, e levar o Rio Grande para a era do conhecimento, e não mais pré-histórica, quem sabe, pré- industrial. Muito obrigada. (Não revisado pela oradora.)

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vote: Plebiscito pelo limite da terra vai até o dia 07 de Setembro

Dê o seu voto:


De 1º a 7 de setembro, está sendo realizado, em todo o Brasil, o Plebiscito Popular pelo Limite da Terra. A iniciativa integra a campanha pelo limite da terra e tem como objetivo pressionar o Congresso a estabelecer um limite para propriedades rurais e ampliar as possibilidades de reforma agrária. No total, 50 entidades estão engajadas no processo, incluindo diversos sindicatos. A Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra defende que se estabeleçam limites distintos para cada região do país, de 30 a 70 hectares. Isso porque, o teto definido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é de 35 módulos fiscais, que variam de acordo com cada unidade da federação.

O problema concentração de terra no país é um problema que vem desde o período colonial. Existe uma grande massa de camponeses e trabalhadores que são expulsos e não têm direito ao acesso da terra como sobrevivência.

Segundo dados do censo agropecuário de 2006, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pequenas propriedades geram, em média, 17 empregos diretos a cada 100 hectares, enquanto grandes fazendas correspondem a 1,4 postos na mesma área. Dados do IBGE também apontam que 1% da população, detém 50% das terras brasileiras.

Como votar
As urnas estão colocadas em comitês regionais, sindicatos, comunidades religiosas, entre outros locais. Também serão coletadas assinaturas por meio de um abaixo-assinado na internet. Para votar, o participante preenche uma cédula em que opina se é favorável ou não a se estabelecer limite máximo ao tamanho das propriedades rurais.

Maior concentração fundiária do mundo
O Brasil é um dos países com maior concentração latifundiária no mundo. Algumas propriedades são maiores que estados como o Sergipe e de muitos países da Europa.

Para conhecer mais sobre a campanha, acesse o link http://www.limitedaterra.org.br

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