quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Trabalhadores e movimentos sociais voltam às ruas contra golpe e ajuste fiscal e exigem saída de Cunha

022ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA – 16DEZ2015
(Texto sujeito a alterações, devido à revisão do orador.)
(Sem revisão final.)

O SR. PRESIDENTE (Paulo Brum): A Ver.ª Sofia Cavedon está com a palavra para uma Comunicação de Líder.

A SRA. SOFIA CAVEDON: Sr. Presidente, Srs. Vereadores e Sras. Vereadoras, bom dia a todos e todas. Quero sugerir a todos e todas, aos telespectadores em especial, que leiam duas entrevistas, dois textos que constam na Carta Maior, em 30/11 e em 29/11, que são muito elucidativos do momento da política brasileira. Ontem, assistimos à Polícia Federal na frente de 50 espaços, prédios, apartamentos, mansões. Nada menos do que o Presidente da Câmara Federal, com mandado de busca e apreensão e, finalmente, à tarde, para não passar mais vergonha do que já passava, a Comissão de Ética da Câmara Federal, por 11 votos a 9, acolheu a investigação das denúncias do delito, da mentira contada por Eduardo Cunha, Presidente da Câmara, ao Congresso Nacional sobre os seus milhões na Suíça. Vejam que a fala que eu fazia na segunda-feira sobre as instituições tão fortes, aparelhadas, a Polícia Federal, o Ministério Público; e, infelizmente é isso que tem feito o Congresso, a duras penas, dar alguns passos no sentido de construir virtuosidade nas relações público-privadas do Estado brasileiro.

Nesses dois textos que trago aqui, um de Saul Leblon e outro de Jeferson Miola, dois elementos novos, diferenciados, que nós já tratamos daqui da tribuna, a Ver.ª Jussara Cony também, da discricionaridade do juiz Sergio Moro. E eu vou falar de temas que nos afetam também; afetam o Partido dos Trabalhadores. Uma afirmação de Saul Leblon (Lê.): “...O sistema político brasileiro exige muito pouco dos quadros partidários em termos de identidade programática e coerência de princípios. Mas premia a densidade dos vínculos com interesses tão ecumênicos quanto os que o poder do dinheiro consegue estabelecer na sociedade. A naturalidade com o que o senador Delcídio Amaral  transitou nas últimas duas décadas da esfera do PMDB para a filiação ao PSDB e deste para o PT, sem mudar de referências políticas, nem abdicar do seu repertório ecumênico de apoios, é exemplar desse paradoxo”. E aí, explica: “...Delcídio foi diretor de gás e energia da Petrobras no governo Fernando Henrique, indicado pelo PMDB; filiou-se em seguida ao PSDB onde permaneceu até 2001; por conveniências regionais saltou então para o PT, que lhe facultou a vaga para eleger-se senador da República pelo Mato Grosso, em 2002. Nesse vaivém de década e meia, manteve-se fiel a um mesmo círculo de interesses integrado entre outros pelos atuais delatores da Lava Jato, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró”. 

Vejam bem, se nós pegarmos as gravações que levaram Delcídio Amaral à cadeia, 1h35min de gravações foram coletadas e analisadas... E aí já diz Jeferson Miola: “Tão escabroso [o que ele dizia] quanto este fato, entretanto, é a seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático”. E é dessa seletividade que eu quero falar: primeiro as relações de Delcídio  lá no lá no FHC, no PMDB e depois no PT, e é preso agora em função disso. Mas, vejam bem, nessas 1h35min a Justiça “desprezou os trechos nos quais a quadrilha relembra a podridão e a roubalheira deles na Petrobras ainda no governo FHC. Eles fizeram menção, por exemplo, à dinheirama depositada em bancos suíços originada de propina que receberam da empresa Alstom em 2001 e 2002, quando Delcídio era diretor da Petrobrás e Cerveró seu gerente. E também revelaram o nome do personagem que a décadas usa o lobista Fernando Baiano como preposto: o espanhol Gregório Preciado, que é casado com uma prima do senador tucano José Serra”. 

Pergunta Jeferson Miola: qual o procedimento policial e judicial instalado para investigar esses dois... (Som cortado automaticamente por limitação de tempo.)
  
(Aparte antirregimental do Ver. João Carlos Nedel.)

Eu não estou defendendo, ao contrário, Ver. Nedel, estou perguntando por que não estão investigados aspectos que eu citei há pouco que são reveladores da gênese da corrupção na Petrobras, período FHC? Continuando: “A seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático [é a seletividade que nós estamos uestionando!] (...) Os responsáveis pela Lava Jato na Polícia Federal, no Ministério Público e no Judiciário simplesmente desconsideram testemunhos, indícios e provas que implicam políticos ligados ao PSDB. 

Foi assim com Pedro Barusco, o ex-gerente que confessou ter começado sua prática delituosa na Petrobrás na década de 1990, durante o governo FHC. Diante da confissão deste funcionário corrupto [o Barusco] que devolveu 100 milhões de dólares roubados em 20 anos, qual a apuração da Lava Jato sobre o período FHC? Resposta: - nenhuma!” Absolutamente nenhuma! E o que eu estou dizendo aqui não é que não deva ter apuração do período atual, ao contrário, afirmo que isso é muito importante é uma virtuosidade deste momento. É uma grande virtuosidade, mas a virtuosidade não pode ser discricionária no sentido de perseguir, criminalizar um único partido. 

E ontem nós vimos, sim, que finalmente a Polícia Federal e o Ministério Público diante de tantas evidências e tantas tentativas no Congresso Nacional de proteger um corrupto, Eduardo Cunha, agiram com força, e nós teremos novos elementos. E diz Saul Leblon: “A verdade é que todo o sistema partidário brasileiro  funciona hoje como um biombo do poder econômico que, através do financiamento de campanha [por empresas, que terminou], encabrestou direções, abastardou programas, manietou governos e semeou um arquipélago de fidelidades e acordos espúrios, unilaterais às siglas, que despedaçam sem coesão interna [de partidos].” Exemplo: “A desenvolta atuação de bastidores do banqueiro André Esteves [banqueiro que está preso], dono do Pactual,  com sugestiva fortuna de US$ 3 bilhões aos 43 anos de idade, ilustra a matéria-prima de que é feita essa retaguarda [da cooptação do poder econômico sobre os partidos e sobre os representantes do povo]. O dono do Pactual  pagou a viagem de núpcias do amigo Aécio Neves. E prometeu ser tão generoso quanto com a família do delator  Nestor Cerveró – em troca da omissão ao nome do banco na delação premiada do ex-dirigente da Petrobras. Da reciprocidade combinada com Aécio não há relatos, tampouco investigações, embora seja presumível [e apareçam evidências em muitos momentos]”.

Então, eu quis trazer esses elementos, senhores e senhoras, para dizer que eu acredito muito que um novo Brasil está nascendo neste momento, mas há ainda muito o se que aprofundar, democratizar e tornar transparente, porque não se trata apenas dos políticos, Ver. Airto Ferronato, discutirmos no nosso debate, trata-se dos corruptores que estão envolvendo dinheiro, que estão sendo presos, mas trata-se também do Judiciário. O nosso Judiciário brasileiro ainda é uma caixa muito fechada – os seus critérios, suas prioridades, os seus procedimentos. Passar o Brasil a limpo, construir virtuosidade do Estado brasileiro passa pela reforma política. 

O primeiro passo foi dado, eu insisto, não haverá, no ano que vem, financiamento empresarial de campanhas. Esse passo é importante, estão evidenciados em todos os elementos, há uma deteriorização profunda dos partidos brasileiros em função disso, e esse passo foi dado. Primeiro, novamente, pela Justiça, como ontem, pela Polícia Federal para depois o Congresso, depois o Congresso acolher um processo de ética contra o seu Presidente. 

A questão das empresas, da mesma forma, aliás, o Congresso resistiu. O Congresso ainda fez uma legislação tentando recompor o financiamento empresarial. Não é de estranhar, porque aquele Congresso, na sua maioria, é resultado e capturado pelo poder econômico. Agora, o Judiciário ainda precisa tratar todos da mesma maneira. 

Há evidências claras de que a corrupção e a origem, a gênese da corrupção na Petrobras foi no período FHC. Não é só o tema da Vale; é no período FHC, são os mesmos atores daquela época, hoje presos, respondendo por delitos. Não é possível que a Justiça continue sendo seletiva em relação a uma investigação tão séria. Nós queremos que o País saia com a Petrobras fortalecida e com o Estado brasileiro muito mais virtuoso para evitar a dilapidação do seu patrimônio. (Não revisado pela oradora.)

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